O declínio da Resiliência: Um sério problema dos novos universitários

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A luta contra o aumento da carência dos alunos.

Há cerca de um ano atrás eu recebi um convite do chefe de Serviços de Aconselhamento de uma grande universidade para se juntar aos professores e administradores e discutirmos sobre como lidar com o declínio da capacidade de resistência dos estudantes. Na primeira reunião soubemos que as solicitações de aconselhamento mais do que duplicaram nos últimos cinco anos. Os alunos cada vez mais buscam ajuda para crises emocionais e demais problemas da vida cotidiana. Abordamos, entre outros casos, o de uma estudante que dizia estar traumatizada porque seu companheiro de quarto a chamou de “puta”, e a de dois alunos que tinham procurado aconselhamento porque tinham visto um rato em seu apartamento, fora do campus. Eles chamaram a polícia, que gentilmente lhes providenciou uma ratoeira.


A fragilidade emocional dos alunos se tornou um problema sério. Alguns disseram que o medo de tirar notas baixas por um mau desempenho aumentou por causa das crises emocionais subsequentes que eles tinham de lidar. Muitos estudantes encaram uma nota baixa (ou nem tão baixa assim) como um fracasso, e comparam o “fracasso” com o fim do mundo. As universidades também observaram o aumento da tendência dos estudantes os culparem pelas notas baixas – argumentam que os professores não são suficientemente claros ao dizerem aos alunos exatamente o que vai cair no teste, por exemplo. Eles tendem a achar motivos para reclamar, em vez de estudarem mais ou de forma mais eficaz. Grande parte dos debates teve a ver com a quantidade de “ajudas” que a faculdade deve dar aos seus alunos.

Duas semanas depois o corpo de Aconselhamento nos enviou um e-mail anunciando uma nova bateria de reuniões, onde se incluía este parágrafo preocupante:


“Lemos e pesquisamos muito nos últimos meses sobre a resiliência dos estudantes universitários. Nossos alunos não são diferentes do que está sendo relatado em todo o país sobre a adolescência tardia e início da idade adulta. Houve uma diminuição na capacidade de muitos jovens gerirem suas vidas. Queiramos ou não, esses alunos estão trazendo suas lutas diárias para seus professores e outros profissionais que trabalham no campus. A falta de capacidade de resiliência interfere na missão acadêmica da Universidade e frustra o desenvolvimento emocional e pessoal dos alunos.”

Entre os temas que surgiram na série de reuniões, estavam inclusos os seguintes:

. Um aluno menos resiliente pode tentar criar uma espécie de “teatro” para que o corpo docente e os professores se comovam e o “ajudem” mais, para poder baixar os seus padrões acadêmicos sem concorrer com os demais alunos.
. Muitos membros do corpo docente se sentem impotentes diante da situação atual e expressaram sua frustração expondo algumas idéias sobre o que poderia ser feito.
. Os alunos têm medo de falhar; não querem correr riscos; querem ter certeza sobre tudo. Muitos deles veem uma falha como algo catastrófico e inaceitável. Acham que o sucesso exterior é mais importante do que a sua aprendizagem e desenvolvimento.
. As faculdades e, especialmente, os professores mais jovens se sentem pressionados a aderir ao que os estudantes querem para que eles não os avaliem negativamente. Alguns, por exemplo, enviam e-mails ou mensagens aos professores com coisas triviais e exigem respostas imediatas.
. Falhar é normal, mas os alunos ficam muito desconfortáveis quando erram. Eles querem fazer outros trabalhos para consertar os erros. Errar faz parte da aprendizagem e precisamos ajudá-los a aprender com os próprios erros.
Membros do corpo docente, individualmente e em grupo, entraram em debate sobre o quanto de “ajuda” eles deveriam dar aos alunos.

O crescimento acontece através de um justo equilíbrio entre apoio e desafio. Precisamos redefinir o ponto de equilíbrio.

Faculdades e universidades são, tradicionalmente, centros de formação acadêmica superior onde a expectativa é que os alunos sejam adultos capazes de cuidar dos seus próprios problemas. Cada vez mais os alunos solicitam que essas instituições substituam seus pais. Há também a constante ameaça dos processos judiciais. Quando ocorre um suicídio ou um transtorno mental grave, a instituição é freqüentemente responsabilizada.

Wilson, membro do corpo de aconselhamento, se baseou em entrevistas com chefes de gabinetes de aconselhamento em várias faculdades e universidades e chegou à seguinte conclusão:


“As famílias, muitas vezes, esperam que seus filhos recebam do campus um cuidado de saúde mental profissional e imediato, afinal, a maioria dos pais ainda está se ajustando à ideia de que seus filhos já não voltarão mais para casa todas as noites, e muitos esperam que a faculdade ajude a ficar de olho neles. Já os estudantes esperam que a faculdade lhes deem a ajuda que precisam ou quando precisarem. E eles geralmente precisam muito. As taxas de ansiedade e depressão entre estudantes universitários dispararam na última década, aumentando muito o número de estudantes que chegam ao campus fazendo uso de medicamentos para esses males. Também aumentou muito o número de alunos com pensamentos suicidas. Alguns estão lidando com questões graves como a psicose, que normalmente se apresenta na idade adulta, outros estão lutando com as tensões normais da vida universitária: notas ruins, separações, viver por conta própria pela primeira vez, etc., o que os leva a colocar uma pressão grande sobre os centros de aconselhamento”.

Ao longo das últimas décadas houve certo declínio com relação às oportunidades que as crianças têm para brincar, explorar e perseguir seus próprios interesses longe dos adultos. Entre as conseqüências disso está o aumento da ansiedade, da depressão, e da diminuição do controle de suas próprias vidas. Temos hoje uma geração de jovens que não tiveram oportunidade de aprender a resolver seus próprios problemas, de entrar em apuros e encontrar uma saída sozinhos, de ter experiências de fracasso e perceber que podem sobreviver a isso, de serem chamados de nomes feios por outros e aprender a responder sem a intervenção de um adulto. Então, agora, aqui está o que temos: Jovens de 18 anos ou mais indo para a faculdade ainda incapazes de assumir a responsabilidade para si, ainda sentindo que, se surgir um problema, precisam de um adulto para resolvê-lo.

Dan Jones, ex-presidente de aconselhamento da Associação de Universidades e Faculdades, parece concordar com esta avaliação. Em uma entrevista para o artigo ele disse:

“Os alunos não desenvolveram habilidades como a de se acalmar, porque seus pais sempre resolveram todos os seus problemas. Eles parecem não ter tanta coragem como as gerações anteriores.”

Algumas pesquisas sugerem que os pais são o centro do problema. Mas eu não culpo os pais, ou certamente não apenas os pais. Os pais são, em alguns aspectos, vítimas de forças maiores na sociedade: vítimas das exortações contínuas de “especialistas” sobre os perigos de deixar as crianças viverem a infância, vítimas do aumento do poder do sistema e da mentalidade escolar que diz que as crianças se desenvolvem melhor quando são cuidadosamente guiadas e supervisionadas por adultos e vítimas do aumento das sanções legais e sociais que não permitem que as crianças fiquem em espaços públicos sem o acompanhamento de um adulto.

Se quisermos preparar os nossos filhos para a faculdade, ou para qualquer outra coisa na vida, precisamos questionar e combater essas forças sociais. Temos que dar aos nossos filhos a liberdade que as crianças do passado tinham ao poder ficar longe dos adultos e praticar o “ser adulto”, isto é, praticar a tomada de responsabilidade para si mesmas.

E você o que você acha disso? Já testemunhou algum tipo de mudança em jovens adultos descrito aqui? Como pai, como você tem administrado a linha entre proteger seu filho e dar-lhe a liberdade que necessita para seu crescimento psicológico? Você tem alguma sugestão para os conselheiros? universitários e os professores sobre como lidar com esses problemas?
Participe! Deixe seu comentário.

Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

About the Author Taiz de Souza

Apaixonada por psicologia, se dedica a pesquisar continuamente os assuntos mais atuais e variados relacionados a psicologia a fim partilhar artigos interessantes e confiáveis a todos que apreciam.

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