A psicologia da Jihad: Qual a origem do terrorismo?

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Em vez de atribuirmos a culpa aos religiosos, devemos determinar o que levou a nossa juventude desiludida para os braços dos radicais. Caso contrário, vamos continuar a ser parte do problema.


“A Jihad é uma ordem para você, embora seja detestável a vós; mas pode acontecer que você odeie uma coisa que é boa para você, e pode acontecer que você ame uma coisa que é ruim para você. . Allah sabe quando você não sabe” (Alcorão 2: 216)

Se é verdade que o Islã tem sido uma fonte de debates acalorados ao longo da última década, a sua filosofia, para sempre manchada pelos atos de terror que certos grupos afirmam terem travado em seu nome, não tem fundamento nos versículos do Alcorão.


Entendida pela sociedade ocidental como a expressão do radicalismo islâmico, como prova irrevogável de que o Islã é inerentemente radical na sua expressão religiosa, estes versos também têm sido explorados por extremistas para vender e justificar o terror para as massas. No entanto, se estas poucas linhas significam coisas diferentes para pessoas diferentes, os estudiosos islâmicos concordam que seu verdadeiro significado iludiu a maioria – sua essência foi enterrada sob preconceitos, exploração religiosa e medo.

Assim como radicais muçulmanos têm manipulado o Alcorão para fundamentar e legitimar suas doutrinas religiosas, se apropriando da reputação do profeta para perverter a mente e torcer a moralidade dos seus seguidores, Faris Hussein al-Ansi, professor de Estudos Islâmicos, adverte que esse viés sobre o Islã desempenhado pelos terroristas está impulsionando este movimento global.


“A incapacidade dos governos de entenderem o terror como a expressão do neo-fascismo foi o que nos impediu de encontrar as soluções reais. O terrorismo tem sido uma praga para o mundo, não apenas para a sociedade ocidental. Os muçulmanos também foram mantidos reféns do fanatismo. O terror é um problema global, um câncer moderno, que já não podemos mais nos dar ao luxo de subestimá-lo através de uma rotulagem sectária”, disse al-Ansi.

“O Islã nunca foi o problema. Na verdade, o Islã é a negação do radicalismo… em todas as suas formas: políticas, sociais, institucionais e assim por diante. O que o mundo e os terroristas entendem como jihad é uma aberração semântica, e não o reflexo de uma ordem de Allah. O que precisamos fazer é entender o terrorismo como um modus cogitandi [modo de pensar] e não como um problema Islâmico … Se não, vamos continuar dando voltas atrás do próprio rabo”.

Definindo terror

Antes do terrorismo passar a ser associado com o Islão, os governos o definiam como um fenômeno psicossocial, como o sintoma de sentimentos sociais profundos como a privação de direitos básicos, em vez de associar a sua propagação como a expressão de uma fé religiosa.

Até 11 de setembro balançar a segurança dos norte americanos, o terrorismo era visto mais como um tipo de patologia social da mudança, suscetível a tendências e motivações políticas, e menos como um choque de civilizações entre o mundo judaico-cristão e o mundo islâmico.

Se os psicólogos rejeitaram, por unanimidade, que o terrorismo seja uma patologia, ao menos no sentido clínico tradicional do termo, alguns pesquisadores descobriram que alguns traços psicológicos compartilhados pelos terroristas não têm nenhuma ligação em especial ao Islã. Em seu livro de 2009, “Walking Away From terrorism”, John Horgan, diretor do Centro Internacional para o Estudo do Terrorismo da Universidade Estadual da Pensilvânia, enumerou alguns sentimentos específicos e traços psicológicos que conduzem à radicalização, incluindo: sentimentos de raiva, alienação ou privação de direitos; desamparo social e político; dissociação social; e a necessidade de pertencer a uma família ou grupo.

Religião ou fé nunca foram fatores determinantes na radicalização, de acordo com Horgan.


Em “A Psicologia do Terrorismo”, Horgan discute a falta de estudos psicológicos objetivos sobre o terrorismo como um sintoma da resposta emocional aos atos de terrorismo. Essencialmente, Horgan está dizendo que esta falta de objetividade impediu a realização de uma minuciosa análise do fenômeno. A solução, propõe Horgan, é primeiro definir o terrorismo, em seguida, definir a causa do terrorismo, para finalmente então lidar com as causas – e não com os sintomas – do terrorismo.

Em vez de compreender o Islã como a raiz do terrorismo moderno, Horgan propõe que o radicalismo religioso é meramente a manifestação de um mal-estar social, muito mais profundo, como uma fratura psicológica que se expressa através do terrorismo.

Mentes jovens podem ser facilmente persuadidas

Enquanto os acadêmicos discutem sobre a semântica do terrorismo, com o intuito de definir uma ameaça crescente e ameaçadora, nossos jovens são acolhidos pelas garras do extremismo, aliciados por uma série de paradigmas que se alimenta dos sentimentos de inadequação social, medo, infelicidade, e um anseio por orientação.

Hussain Choukri, um analista político do Iraque, disse que a falta de coesão social e política na sociedade ocidental, bem como a sobreposição de sistemas de crenças, muitas vezes contraditórios, criou um vácuo que os radicais têm explorado.

“Houve uma mudança de polaridade política e social desde os anos 1970. Essa desconexão tem sido exacerbada por uma sensação de fatalismo entre os jovens, através do qual os jovens se sentem desapegados da sociedade… Adicione a isso fatores econômicos negativos e o extremismo precisará apenas de um líder. Com tanta antipatia contra o Islã, como resultado da tensão entre palestinos e israelenses, a religião se tornou um catalisador ideal para filosofias extremas”.

Galalae, ativista canadense dos direitos humanos, também enfatizou que os radicais oferecem “uma alternativa atraente para essa juventude desengajada”.

“Mentes jovens são atraídas pela mudança radical, assim como se esforçam para influenciar o meio em que vivem”, disse. “Até enfrentarmos esta realidade e acabarmos com este sistema de exclusivismo e excepcionalismo não vamos destruir os pilares que sustentam o radicalismo”.

Fonte: Mintpressnews traduzido e adaptado por Psiconlinews

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