O amor tem várias faces

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Sabemos dos vários tipos de amor que existem: amor de mulher, amor de mãe, amor de filha, amor de amiga, amor próprio, amor pela vida e por aí vai. E para todo tipo de amor, há várias formas de amar. O amor se manifesta através de variadas faces.






Quando nos apaixonamos, por exemplo, adquirimos imediatamente a tendência de perder a razão, agimos com os sentimentos e colocamos nosso objeto do desejo em primeiro lugar. Mesmo não tendo dinheiro o suficiente, compramos um presente caro para a pessoa amada. Ou deixamos os compromissos de lado para estar ao lado dela. Passamos a agir em função de quem amamos, não importando mais todo o resto como antes importava.
No caso do amor paterno ou materno, acabamos por fazer tudo por nossos filhos. Trabalhamos duro para pagar um bom plano de saúde, uma boa escola, as melhores roupas e os melhores brinquedos. No meu caso e de toda a minha geração X, este excesso de mimos para os nossos filhos foi capaz de gerar características específicas na geração seguinte, chamada de Y. Nossos rebentos não tem a mesma garra que os X. Possuem outras grandes vantagens, mas não esta.





Conheço pessoas que em nome do amor perdem tudo: perdem a família, o dinheiro, o respeito e até mesmo sua dignidade. E pior: muitas vezes nem se dão conta disso. Perdem o amor e o respeito próprio.
Relações de amizade que se tornam nocivas pelo excesso de críticas e falas negativas.
Existem muitas situações em que o amor que sentimos nos prega peças. Perdemos a noção do limite de nós mesmos, do que sentimos e do outro. Deixamos de amar sem perceber, agindo negativamente em relação a nós mesmos e aos demais. Deixa de ser amor. Se transforma em obsessão, possessividade e excesso desnecessário de cuidados.
Amor tem que ser bom. Amor é calmo, tranquilo e promove o auto-respeito e o amor-próprio. E por isso uma das faces do amor é ser duro, frio e distante, quando se faz necessário.
Quando o amor se faz ruim, temos a obrigação de mudarmos nossas atitudes. Existe o dizer “não”. A não aceitação daquilo que nos machuca e até mesmo do que pode vir a machucar o outro. Dizer “não” também é um ato de amor: seja de amor-próprio, seja por amor ao outro.
“Não” quando machuca, “não” quando manda, quando grita, quando o respeito se faz ausente. “Não” para não criarmos o hábito de aceitarmos calados o que não está certo, seja num relacionamento amoroso, de amizade ou numa relação de pais e filhos.





Nossas crianças e adolescentes também se sentem amados quando recebem limites, pois é a certeza de que alguém olha por eles, por seus futuros e por sua educação.
O amor verdadeiro vem de dentro, além do que apenas nosso corpo ou instinto deseja. Amor vem da alma, da necessidade de dar sentido à vida. Amamos os nossos e uns poucos demais. Amor é uma necessidade humana de se manter vivo em alegria.
Por nossos amores verdadeiros não devemos esquecer de quem somos de verdade e de até que ponto aceitamos ir em nome de uns e outros.
Devemos lembrar que uma das faces desse sentimento é o amor por si mesmo.
Dentre tantas faces do amor, esta protege e dignifica as demais.

About the Author Carolina Vilanova

Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), "O Milagre da Vida" (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br Mais matérias em: www.carolinavilanova.com

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