Às vezes, aparentamos tranquilidade, mas fervilhamos por dentro

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É fato que nem sempre externamos como estamos nos sentindo, o que nos leva a, muitas vezes, aparentarmos exatamente o contrário do que se passa dentro de nós. É verdade que ninguém tem nada a ver com a maioria de nossos problemas, porém, engolir tudo, o tempo todo, será o pior que poderemos fazer a nós mesmos.





É muito difícil termos noção do quanto podemos nos abrir e a quem podemos contar o que sentimos. Por mais que pensamos conhecer as pessoas, jamais saberemos com precisão até onde poderemos confiar, com raras exceções. Por isso é que acabamos vivendo em duplo sentido, abrindo sorrisos enquanto nossos sentimentos encontram-se em frangalhos.

Diz-se que quem é transparente vive melhor, pois não guarda nada dentro de si, doa a quem doer. No entanto, é de se duvidar que alguém possa se sentir bem após machucar alguém que não merecia, por conta de suas explosões repentinas. É aquela velha história: para tudo, deve-se ter cautela, pois excessos de quaisquer tipos são nocivos.





Por essa razão, também não poderemos encontrar tranquilidade, caso caminhemos acumulando o peso de tudo o que sentimos, sem compartilhá-los com ninguém. Quando nos abrimos com o outro, acabamos nos livrando de muita bagagem inútil, pois ouvimos a nós próprios nessa conversa e percebemos que muito do que nos martiriza não tem tanta importância assim.

Esse exercício da partilha afetiva, portanto, é deveras importante em nossas vidas, pois é assim que muitos nós se desfazem e muitas soluções aparecem. Sempre haverá alguém com quem poderemos ser o que somos de fato, alguém que nos enxergue mesmo em meio às sombras das tempestades em que às vezes nos confinamos. Cultivarmos os relacionamentos nos poupará da luta solitária com as nossas dores.





Nem sempre poderemos externar o que sentimos da maneira como deveríamos, tampouco deveremos nos anular em razão do que os outros poderão pensar, porém, caso tenhamos dado as mãos com inteireza a quem chegou em nossas vidas com verdade, não teremos que engolir o amargor de nossas lutas de forma solitária. Porque quem nos ama saberá nos entender e nos aconchegar, com acolhimento que cura e ilumina.

About the Author Marcel Camargo

Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família.

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