Crianças/adolescentes e as amizades

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  Trabalhando em uma escola, lidar com crianças/adolescentes faz parte da minha rotina. Observo as relações entre eles e, mesmo que não tenha uma intervenção direta nas mais diversas situações que ocorrem, muitas chegam a mim através de reclamações e desabafos dos próprios, geralmente envolvendo problemas relacionados à família e à amizade.





  Nesse período da vida, vemos o mundo de uma forma micro, de uma forma intensa, e tudo toma uma proporção maior do que muitas vezes necessita. Nossas prioridades são outras, e os adultos não nos entendem… Todos já fomos crianças, mas crescemos e esquecemos de como éramos, e de como sentíamos o mundo ao nosso redor. Quando criança/adolescente, o nosso mundo se resume à família, à escola e às amizades. A família desvaloriza esse “mundo”, pois considera seus problemas maiores e mais relevantes. Afinal, trabalho e contas a pagar são obrigações necessárias no chamado “mundo real”.





  Muitas vezes vemos a família reclamar que a criança/adolescente se afastou e vive isolada no quarto, vive “grudada” no celular e nas redes sociais. Sim, é verdade! Até mesmo na escola é difícil eles deixarem o celular de lado. Mas como é a relação e a comunicação em casa? Será que esses familiares dão a atenção e o carinho necessário? A criança/adolescente começa a se isolar por se perceber sozinha e desvalorizada, por sentir que seus sentimentos não são levados em conta, por não haver diálogo em casa. Quantas vezes você falou para seu filho que algo que ele contava era “besteira”, ou que tinha que resolver problemas maiores? Às vezes falamos sem perceber, mas quando se torna algo rotineiro, apenas afasta a criança.





  Sendo assim, quem dá atenção? Quem está sempre presente e compartilha os momentos de alegria e tristeza? OS AMIGOS! Sejam eles virtuais ou não, se fazem presentes e demonstram interesse no que está sendo dito. Como já falado acima, a criança/adolescente vive tudo intensamente, então facilmente confia e passa a ter “melhores amigos”. Porém, por ser um período de mudanças constantes, de hormônios e pensamento, esses melhores amigos não duram tanto quanto gostariam. Até porque, se não há diálogo em casa, como definir e avaliar uma amizade? Como saber o que realmente é importante nessa relação?

  Vejo crianças/adolescentes implorando atenção e carinho, pelos mais diferentes meios. Vejo crianças/adolescentes frágeis e carentes, inseguros com relação a si mesmos. Infelizmente não é uma percepção exclusiva da minha realidade, mas sim da grande maioria…

  Com isso, as amizades tornam-se extremamente importantes e, qualquer problema com elas, parece ser gigantesco. Chegam a mim problemas como: “fulana não gosta mais de mim”, “fulano era meu melhor amigo e agora ele prefere outra pessoa”, “eles reclamam do meu jeito”, “elas reprovam tudo o que faço”… E aí, nessa fase de extrema necessidade de aceitação, de fazer parte do grupo, muitos perdem sua essência para serem como o rebanho e para não se sentirem excluídos.

  Como família, o que se pode fazer? Dar todo o amor e carinho, fazê-los se sentirem seguros pelo que são, ensinar o amor próprio, e mostrar que a frustração faz parte da vida. Pessoas mudam, e algumas vão gostar de você pelo que é e outras não justamente pelo mesmo motivo. Mas a vida continua! E o respeito ao próximo e o amor próprio com certeza tornarão essa criança/adolescente mais segura para a vida adulta, com discernimento suficiente para não aceitar relações pouco (ou quase nada) satisfatórias.

Corujices da Psi

About the Author Samira Oliveira

Meu nome é Samira Oliveira. Sou Pedagoga e Psicóloga. Possuo experiência em diferentes segmentos como: Educação, Recursos Humanos e Psicoterapia Clínica. O objetivo dos meus textos é trazer informação aos leitores, com uma linguagem de fácil compreensão sobre os principais temas dessas duas profissões tão importantes e infelizmente pouco valorizadas em muitas instâncias.

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