Dificuldade de autistas em usar máscaras contra o coronavírus preocupa pais

Seja para trabalhar, ir à farmácia ou ao supermercado, o uso da máscara é essencial para evitar a contaminação pelo coronavírus. No entanto, o equipamento é bastante incômodo para os autistas, que têm dificuldade em sentir algo tocando a pele.

Em Sorocaba (SP), os pais e responsáveis estão preocupados, pois vão precisar sair de casa em alguns momentos para levar os filhos à terapia e ao médico. A professora Érica Bastida é mãe de Ana Júlia, que é autista, e gravou um vídeo mostrando o momento em que coloca a máscara na filha.

Ela diz que, para os autistas, já é difícil compreender esse momento de pandemia, de não poder sair de casa e reforçar a higiene. Usar máscara é um desafio ainda maior. “O uso de máscara vem para potencializar o distúrbio do processamento sensorial, o que dificulta para eles a utilização de algo no rosto.

Nós estamos trabalhando com eles no sentindo de que tentem utilizar a máscara o máximo de tempo possível, mas muitas vezes isso é difícil. Não é porque eles simplesmente não querem utilizar, mas é porque há uma dificuldade maior do que para nós”, explica.

O empresário Vitor Azevedo Júnior é pai de Pedro, de 12 anos, um autista não verbal, ou seja, que não fala. Assim como 96% dos autistas, ele também tem dificuldades sensoriais e não consegue aceitar acessórios no corpo.

Outro exemplo de como os autistas não conseguem usar máscara é o vídeo do empresário Hygor Paulo Duarte, pai de Eric (assista abaixo). Nas imagens é possível ver que, primeiro, Hygor coloca a máscara no filho mais novo, Théo, que, depois de escolher a estampa do pano, aceita ficar com o item de proteção.

Mas, quando chega a vez de Eric, nem o celular, usado para distrair o menino, ajuda na hora de colocar a máscara. “Sabemos da dificuldade de muitos autistas no uso, mas os pais estão temerosos, porque contam que alguns precisam sair para atendimento terapêutico, realização de exames e fica difícil essas crianças estarem com a máscara”, explica a diretora da associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas), Jeane Collaço. “Já têm algumas cidades que estão utilizando o laço azul no punho para as crianças que precisam fazer uma caminhada para aliviar a tensão, o estresse, isso para as pessoas já saberem que são autistas”, completa Jeane.

A médica psiquiatra Cláudia Antila, que acompanha os assistidos pela associação, explicou o motivo de os autistas terem dificuldade no contato e o que a insistência em usar máscara pode causar. “Esse recebimento gera reações e outras sensações, geralmente, de evitação, agitação psicomotora, agressividade ou até autoagressividade.”

No entanto, Cláudia reforça que o uso de máscaras é obrigatório para as pessoas ao redor do autista. “Poderia haver também a experiência de máscaras com tecidos mais maleáveis, agradáveis, com elásticos mais alargados”, sugere.

Em nota enviada à TV TEM, a Prefeitura de Sorocaba informou que o uso de máscaras está facultativo para pessoas com autismo e outras deficiências que possam dificultar a utilização. A orientação é para que os pais consigam explicar a importância e, principalmente, para que locais com risco da doença sejam evitados.

Outra orientação é para que as pessoas com deficiência só saiam de casa se realmente for necessário. O uso de máscara também não é recomendado para crianças menores de dois anos, porque existe o risco de elas sufocarem.

Fonte: G1

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