Como lidar com ataques verbais

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Imagine a cena: você acabou de concluir um projeto no trabalho e está se sentindo muito bem consigo mesmo. Acha que fez um ótimo trabalho e espera que o seu chefe o aprove. Assim, começa a trabalhar em seu próximo projeto. De repente você ouve a voz do seu chefe, e pelo tom ele não está de bom humor, logo em seguida ouve o seu nome sendo chamado e sabe que algo ruim está prestes a acontecer.





Ele se dirige até a sua sala, dirige um monte de palavrões contra você e dá um tapa no relatório que você entregou de manhã. Em algum momento em meio aos insultos ele chama a sua atenção para um erro que você cometeu em seus cálculos, fazendo você  se sentir mal por não ter percebido algo que agora parece tão óbvio. O seu ego é totalmente massacrado. Você se sente um completo idiota e os insultos começam a ganhar espaço em sua mente. Como o seu chefe é meio esquentadinho, ele joga o relatório sobre a sua mesa e lhe dá um prazo de até o final do dia para corrigi-lo. Em seguida, ele volta para o escritório dele resmungando sobre o nível de incompetência que ele tem que aturar na empresa. No final, você não tem certeza se está aliviado ou decepcionado por não ter sido demitido.

Os seus companheiros de escritório lançam olhares empáticos para você. No final do dia, quando o chefe vai embora, algumas pessoas param em sua mesa para tentar lhe confortar.

Mas como curar a ferida aberta em sua autoestima?





Seria necessário dispor de apenas algumas horas para corrigir o seu erro. Pelo menos esse é o tempo que levaria se sua mente não estivesse tão preocupada com todos aqueles ataques verbais que se repetem na sua cabeça várias vezes desde o ocorrido. Então você fica até mais tarde, verifica o seu trabalho cerca de três ou quatro vezes, em seguida, desliza o relatório revisto por baixo da porta do seu chefe.

Em seu caminho para casa você acaba comprando uma caixa de cerveja, toma a primeira latinha com facilidade, então abre a segunda. Algum tempo depois da meia noite você termina a última cerveja caindo de sono. E antes que você possa perceber, o alarme dispara e você tem de estar de volta à rotina. Só que agora, além de tudo, você está de ressaca.

Você odeia o seu trabalho, a sua vida e a si mesmo.

Às vezes somos alvos de palavras de raiva e não temos outra escolha senão aguentar os insultos. Mas isso não significa que temos que acreditar em tudo aquilo que ouvimos. Não importa o que você fez, você não merece ser abusado, seja verbalmente ou de qualquer outra forma. Se você injustiçou outra pessoa, ele ou ela tem o direito de expressar suas queixas, e você tem a responsabilidade de fazer as pazes. No entanto, permitir que a linguagem corrosiva absorva a sua autoestima não é uma boa escolha.

Você não pode impedir os outros de perderem o controle, mas você pode decidir como você irá reagir a isto. E a melhor maneira de começar é lembrando que o seu chefe ou qualquer pessoa que esteja lhe agredindo verbalmente, geralmente, não está realmente dirigindo os palavrões para a sua pessoa: elas dizem muito mais a respeito de pessoa que está falando.





As palavras que saíram da boca do seu chefe foram insultos pessoais, mas o que ele estava realmente expressando eram os seus próprios sentimentos internos, que ele não consegue transformar em palavras e certamente não tinham nada a ver com você. Por isso é importante entender que não somos responsáveis pelas emoções das outras pessoas, da mesma forma que cabe a elas a decisão de como reagir frente ao nosso comportamento.

Ninguém sabe o que está acontecendo na vida da outra pessoa e as tensões que ela tem enfrentado. Talvez o seu chefe esteja enfrentando problemas familiares, ou talvez ele esteja sob a pressão de seus superiores hierárquicos, etc. Seja lá o que for, é isso o que ele está expressando quando desabafa sua raiva, e isso, de maneira alguma, é culpa sua. Você precisa entender que há outros fatores em jogo.

Sim, o seu chefe poderia ter se comportado de maneira diferente, poderia ter lhe pedido para entrar em seu escritório, poderia ter agradecido por terminar o relatório a tempo, poderia ter tratado o assunto com naturalidade  e apontar o seu erro educadamente, pedindo que o corrigisse até o final do dia. O ponto importante aqui é que o fato do trato dele ser gentil ou cruel depende unicamente do que está acontecendo na vida dele. Mais uma vez, não tem nada a ver com você.

Compreender que você não é o responsável pelo comportamento das outras pessoas é libertador. Quando você sabe que as palavras ditas com raiva não são realmente dirigidas a você, o ataque, ainda que desagradável, não prejudica tanto a sua autoestima. Dessa forma, torna-se até mais fácil encontrar uma maneira de perdoar a outra pessoa.

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