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Depressão: Sintomas e Tratamento

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A Depressão se caracteriza por um padrão de comportamentos, sentimentos, emoções e funcionamento cognitivo em que a pessoa experimenta a impotência para realização do seu projeto e desejo de ser nos diferentes perfis da personalidade. Caracteriza-se como uma inviabilização de seu projeto de ser, pois seu desejo encontra-se impedido de realizar-se em sua integralidade na sua vida de relações.





De acordo com a singularidade de cada caso, essas pessoas experimentam-se impedidas de continuarem realizando-se profissionalmente, ou como pai de seus filhos, avô de seus netos, tio de seus sobrinhos, e assim sucessivamente. Na maioria dos casos o processo depressivo atinge o conjunto dos perfis da personalidade, sendo que a pessoa entra na antecipação psicofísica de seu futuro inviabilizado na área profissional, material, familiar, no relacionamento que estabelece com os outros de uma forma geral e com o seu futuro.





De acordo com o Manual Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM da Associação de Psiquiatria Americana, a sintomatologia inclui humor deprimido na maior parte do dia, incluindo sensação de desânimo, cansaço, tristeza e choro recorrente. Acentuada diminuição do interesse e do prazer pelas atividades diárias, de modo que alguns pacientes permanecem reclusos em suas residências, experimentando sensibilidade e desconforto em contato com a luz solar.

Pode ocorrer perda ou ganho de peso em função de tal quadro sintomatológico, pois alguns pacientes perdem o apetite quando estão deprimidos, enquanto outros  apresentam compulsão alimentar, principalmente quando a depressão inclui sintomas de ansiedade.





Ocorre de alguns pacientes apresentar momentos de agitação psicomotora ou retardo, apresentando quadro de letargia, ocorrendo aumento ou diminuição no ritmo da fala e dos movimentos corporais. Alguns pacientes preferem ficar deitados apresentando dificuldades ao levantar-se e realizar suas atividades diárias.

Com frequência estes pacientes sente-se fadigados com sensação de pouca energia para realizar suas atividades. O fenômeno da temporalização psíquica ocorre de tal forma que o futuro viabilizador que atrai a maioria das pessoas objetiva-se para eles inviabilizado, provocando sentimentos de inutilidade e capacidade diminuída para concentrar-se.

Pode ocorrer pensamentos de morte recorrente, e em alguns casos mais graves com ideação suicida. Importante considerar como fundamental o tratamento psiquiátrico e medicamentoso. Igualmente importante é a realização de psicoterapia com o profissional psicólogo.

Em psicoterapia o paciente vai ter condições de localizar-se de sua situação de ser, e conseguir identificar quais ativadores situacionais que funcionaram como gatilhos para a vivência de episódios depressivos. Vai equacionar de que forma e por quais fatores seu futuro encontra-se inviabilizado, localizando-se no tempo e recuperando ou reconfigurando seu projeto e desejo de ser.

Importante considerar que tais gatilhos são acontecimentos históricos e materiais demarcados, como por exemplo, a morte de uma pessoa importante de seu grupo, ou situações de violência e negligência praticadas por pessoas de seu convívio diário, enfim, ocorrências que dificultam ou até inviabilizam momentaneamente a pessoa de realizar-se enquanto ser em desenvolvimento, sendo respeitada e considerada pelos outros, em sua maneira de ser e valores fundamentais.

Tais acontecimentos que funcionam como gatilhos podem estar correlacionados com outros ocorridos na infância e adolescência, tornando os episódios depressivos mais severos e agravando o quadro do paciente. Esses são outros fatores que tornam o tratamento indispensável para o restabelecimento do paciente em sua vida de relações.

De acordo com o psiquiatra holandês Van Den Berg tais problemas psicológicos estão objetivados no relacionamento que o paciente estabelece com o tempo, que inclui o seu futuro, com a materialidade, com as outras pessoas significativas de sua vida de relações, e com o próprio corpo. Pacientes depressivos também podem vir a sofrer alterações na imagem corporal, sentindo-se pouco atraentes e desqualificando sua aparência. Ou ainda podem ter a relação com a materialidade alterada, incluindo a forma como percebem as paisagens diárias, sendo mais sensíveis a sensações de desconforto, calor e dor.

Além do tratamento psiquiátrico e psicológico, o paciente vai precisar reorganizar sua vida de relações, avaliar de forma crítica a forma que estabelece o relacionamento com os outros, que vai implicar em novas atitudes, escolhas e decisões. Poderá realizar algumas atividades que o auxiliem a viver de forma mais saudável, reservando tempo para o lazer e o descanso, envolvendo-se em atividades prazerosas, investindo na qualidade do sono e na quantidade adequada de horas de descanso. E ainda, alimentando-se de forma mais saudável, realizando atividades físicas que provoquem sensação de bem estar e investindo num ambiente em que possa experimentar tranquilidade e motivação, incluindo relacionamentos viabilizadores e saudáveis com os outros, com amizades verdadeiras e sinceras, diversão e humor.

 

About the Author Priscilla Tietbohl

Psicóloga, Santa Catarina, Brasil

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